Dress code

Dicas para o uniforme de verão

Dicas para o uniforme de verão

Eu conheci as meninas da Dupla Carioca (Mari e Nanda) em 2014, e tive o prazer de fazer a análise de coloração delas, como elas contam lá no site delas. Além de elas serem lindas e engraçadas, elas também trazem questões muito boas para a gente pensar, e esses dias a Mari falou sobre a necessidade de se criar um uniforme de verão para os profissionais aguentarem esses dias mais quentes.

Como eu trabalhei 11 anos em Recursos Humanos, eu super acho que posso ajudar as empresas a pensarem sobre o assunto, principalmente porque o meu trabalho como consultora de estilo vai muito além da roupa.

Como as empresas escolhem o uniforme dos funcionários?

As empresas escolhem o uniforme dos funcionários pensando primeiramente na imagem adequada que quer que eles passem para fornecedores e clientes.

Eu já trabalhei em várias empresas que não tinham um dress code definido e sei que quando a roupa de trabalho é de responsabilidade do funcionário pode acontecer de as pessoas errarem bastante na hora de usar o bom senso ou não saberem como se vestir – e por isso a maioria dos meus clientes tem a demanda de definir a roupa para trabalhar. E por isso eu entendo o lado do empregador, quando define o que é certo e errado e o que é adequado ou não. Mas, também preciso falar de outros aspectos dessa escolha.

Eu sempre falo aqui que o conceito de adequação varia de pessoa pra pessoa, assim como o conceito de bonito, feio, sexy, vulgar, e etc., mas quando falamos em dress code, esse conceito de adequação segue o conceito do dono da empresa (ou a pessoa responsável).

É importante dizer que esse conceito de adequação fala da imagem profissional dos funcionários, e como consultora de estilo eu sempre falo sobre a importância de passar uma imagem coerente com a mensagem que quer passar, e nesse caso, o uniforme é pensado de maneira que os funcionários pareçam confiantes (ou de confiança), profissionais, respeitáveis, capazes e, em algumas situações, “invisíveis”, como a maioria dos casos que a Mari mostrou lá no instagram da Dupla Carioca, como os porteiros e seguranças que trabalham no sol de terno e gravata, com a hashtag #eunoseulugar, que leva a gente a se colocar no lugar desses profissionais.

É importante dizer que o “invisível” aqui fala tanto do fato de que o uniforme tira a personalidade e a pessoalidade dos profissionais, que ficam parecidos com todos os outros (ou parecendo mais um), quanto de uma questão social de inferioridade e servidão.

A questão social do uniforme

A roupa diferencia quem é funcionário e quem é patrão, como nos casos de ver duas mulheres passeando no shopping, lado a lado. Uma delas empurra um carrinho de bebê, vestida de branco. Você sabe que ela é a babá, e não uma amiga da patroa – mãe da criança. E dependendo do lugar, a pessoa é tratada de forma diferente, porque só está ali por estar a trabalho, acompanhando os patrões (clubes, hotéis e restaurantes, por exemplo).

Não quero me aprofundar nesse assunto, mas levanto a bola pra introduzir o meu pensamento sobre essa questão. Ao mesmo tempo que muitas pessoas acham essa questão normal, posso citar um dia que eu li sobre a babá do Eddie Vedder (vocalista da banda americana Pearl Jam) estar usando biquíni na praia junto com a família dele.

O Eddie Vedder é super politizado e engajado em questões sociais, e esse exemplo mostra que ele consegue respeitar e ver a pessoa que presta serviços pra ele como sendo alguém igual, mesmo que esteja a trabalho.

E aí é que entra a ideia de que dá pra gente unir as duas coisas, ou seja, dá pro patrão exigir o uso de uniforme, pensando na imagem profissional que quer que os funcionários passem (e essa questão é realmente importante, porque  93% da comunicação é não verbal e aqui inclui a forma como a gente se veste), mas que também exista um olhar mais humano para essas pessoas, que também sentem calor, especialmente em lugares sem ar condicionado!!

Parece muito óbvio pra mim, mas em tempos de falta de interpretação e de empatia na internet, vou deixar claro que EU NÃO SOU CONTRA O USO DO UNIFORME, e não acho que seja ruim, tanto para o empregador quanto para o funcionário, que não perde tempo escolhendo o que vestir todo dia e nem gasta dinheiro comprando roupa pra trabalhar, mas o uso do uniforme não pode humilhar ou destratar os profissionais!

Empresas adotam o uniforme de verão

Depois de trabalhar 11 anos em Recursos Humanos, como consultora de estilo eu sempre falo que as regras de dress code devem sempre ser obedecidas

Algumas empresas já adotam o uniforme de verão, como a OAB, que permite que os advogados (que são uma profissão super formal!!) não precisem usar terno em dias que não vão ter audiência, por exemplo.

A Polícia Militar de alguns estados (como SP e RS, por exemplo) também já adotou o uniforme de verão, com bermuda no lugar da calça da farda e sandália no lugar do sapato fechado com meia (veja a foto  da PM gaúcha abaixo). O BOPE (Rio de Janeiro) também trocou a farda preta por uma verde, feita com um tecido mais fresco, além de evitar a cor preta, que absorve mais calor.

Guardas-municipais e motoristas de ônibus de cidades mais quentes já usam bermuda como alternativa de uniforme para os dias mais quentes.

Isso também mostra que dá pra transmitir poder e autoridade (competências de alguns cargos que eu citei aqui) mesmo com uma roupa mais informal, aumentando as possibilidades vistas como adequadas.

Dicas para uniforme de verão

Na segunda-feira eu falei sobre opções de roupas para trabalhar no calor, e o texto já estava pronto quando eu pensei em falar sobre uniforme de verão, e por mais que sejam as mesmas dicas, o texto de hoje não é destinado às pessoas que podem escolher todo dia de manhã o que vão usar para trabalhar, já que o uniforme é algo compulsório.

Vamos às dicas para você escolher o uniforme de verão dos seus funcionários:

  • Roupas mais claras: Se o cargo realmente exige o uso de calça comprida e blazer, troque o preto por cores mais claras, que refletem o calor ao invés de absorvê-lo.
  • Uniformes feitos com tecidos naturais: Eu sempre falo que o tecido é o que vai fazer diferença sempre, e por isso, vale investir em tecidos naturais (como o algodão e o linho), que deixam o corpo transpirar (e evitam aquele cheiro ruim de suor). A maioria das roupas sociais é de poliéster, que é mais barato, e já falei aqui sobre as vantagens e desvantagens desse material.
  • Modelagens mais amplas ou mais curtas: Deixar a pele mais livre é a regra no calor, e por isso, peças com modelagens mais largas ou opções mais curtas (como bermudas, vestidos e blusas de manga curta) pode ajudar bastante a reduzir a sensação de calor.

Palestra sobre dress code profissional

Se você tem uma empresa ou trabalha no RH e quer me levar pra falar sobre dress code profissional com os seus funcionários, ou precisa de ajuda para pensar em possibilidades de uniforme, entra em contato por aqui!

 

 

 

 

 

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