Consultoria de estilo

O papel da mãe como nossa primeira consultora de estilo

O papel da mãe como nossa primeira consultora de estilo

Maio é o pior mês do ano pra mim. Hoje (dia 5) seria aniversário da minha mãe, depois vem o dia das mães e dia 26, quando faz 17 anos que ela morreu. Mas apesar de toda tristeza e saudade, eu lembro com carinho de tudo que vivi com ela e de tudo que ela me ensinou, e inclusive como me incentivou a gostar de moda.

Minha mãe era costureira e fez o próprio vestido de casamento, e o vestido de muitas mulheres da família. Como eu casei depois da morte dela, usei a parte de cima do meu vestido de 15 anos, que ela tinha feito, para homenageá-la.

Muitas vezes eu gostava de uma roupa que via na revista e ela fazia pra mim. Também lembro de algumas vezes que ela fez roupas pra mim que eu não gostava, porque era o estilo e o gosto dela, e não o meu. Que mãe não faz isso? Que mãe não sonha com os vestidinhos, lacinhos e tudo que envolve o mundo feminino em 50 tons de rosa pro enxoval, que vai do rosa bebê, passando pelo rosa antigo, pink, magenta, chiclete até o rosa choque.

É claro que um bebê não tem estilo ainda, e provavelmente até uns 3 anos nem tem preferência por alguma cor ainda, mas é importante que as mães saibam da importância que elas têm no desenvolvimento do estilo de suas filhas, que podem não gostar de vestido e preferir calça comprida, e odiar rosa e querer usar só preto ou azul, por exemplo. Tudo bem ela gostar mais do Homem Aranha que da Mulher Maravilha ou da Branca de Neve!

No mês passado o Alexandre Herchcovitch fez uma coleção de inverno para a PUC com peças sem gênero, ou seja, que tanto meninas quanto meninos podem usar se gostarem (fotos que usei no início desse texto). No futuro, as lojas não terão mais sessão feminina e masculina, nem mesmo para crianças. O mundo está mudando, a moda está mudando, e você, como mãe, precisa saber o que fazer com isso.

Eu não sou mãe, mas sou tia de dois meninos, e sei que quando criança gosta de algo, elas gostam de verdade! Uma vez dei um pijama do Homem Aranha pro meu sobrinho mais novo, e ele foi pra escola a semana toda de pijama, e dormia com ele também. Uma vez o meu sobrinho mais velho foi comigo ao cinema com o uniforme do Fluminense que eu dei de presente de aniversário (com direito a meião e chuteira).

Isso acontece quando uma criança veste uma roupa que faz ela se sentir quem ela é, que ela sente que uma roupa era “a cara dela” e, apesar de ela não ter a mínima ideia do que isso seja, ela se sente mais confortável com essas que com as roupas que a mãe escolhia e fazia ela usar, sem que ela opinasse.

O nosso estilo pessoal é construído ao longo da nossa vida, e tem várias influências externas, como o clima do lugar que a gente mora, os lugares que a gente frequenta, as pessoas com quem a gente convive e admira, os lugares que frequentamos, a nossa rotina, a nossa personalidade, etc. Na infância, todas essas coisas se resumem a: como a mãe quer que essa menina se vista.

Se a menina tiver personalidade forte desde cedo e os pais forem mais abertos, logo ela vai poder dizer que prefere um all star a um sapatinho estilo boneca, mas nem toda menina nasce assim e nem toda mãe e pai dão essa liberdade para os filhos, né? E aí eu te pergunto, já pensando em ajudar a empoderar as futuras gerações desde já: que tipo de mãe você é ou vai ser? Como você monta ou vai montar os “looks do dia” da sua filha até que ela possa escolher as roupas que vai usar? Como você, principal formadora de opinião e pessoa que sua filha mais vai se inspirar e espelhar vai ajudá-la a criar, desde cedo, o seu estilo pessoal?

Lembre-se que a forma como a gente se veste é uma forma de dizer ao mundo quem a gente é e a sua filha também tem (ou terá) esse direito!

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