Consultoria de estilo, Consumo Consciente

Como saber se fiz uma boa compra?

Como saber se fiz uma boa compra?

Eu pergunto a todas as minhas clientes porque elas compraram as peças que tem, e depois de 4 anos e meio trabalhando como consultora de estilo eu posso dizer que quase 100% das pessoas não sabe porque, ou compra pelos motivos errados, e um dos benefícios da consultoria de estilo é ensinar a avaliar quando uma fez uma boa compra ou não.

Esses dias uma cliente lá da Bahia (da consultoria de estilo online) falou que tinha comprado uma calça. Olha como ela me contou sobre a compra: “Vi essa calça na promoção! R$30! Não podia deixar ela lá na loja, o modelo dela é lindo! Mas não sei como usar ela, essa estampa é muito chamativa e as cores são muito vivas!”. A minha resposta foi automática: “Ela não podia ficar lá na loja, e agora vai ficar no seu guarda-roupas, porque você não vai usar ela! Ela seria barata se você usasse muito, como não vai usar, ela foi cara demais mesmo tendo sido R$30.” Mostrei uma cliente de 2014 falando sobre isso lá no instagram:

Como saber se fiz uma boa compra?

Existem várias formas de saber se uma compra é boa, e isso pode variar de acordo com cada pessoa (eu falo sobre isso no texto que explico as prioridades no vestir), mas nesse texto eu vou mostrar uma relação de itens gerais a todas as pessoas, que vai te ajudar a comprar certo na próxima vez que for ao shopping:

  • A roupa vestiu bem – tem um bom caimento no seu corpo;
  • Ela fez você se sentir bonita;
  • Ela combina com o seu estilo;
  • Ela serve para o corpo que você tem hoje, e não para o corpo que você teve ou quer ter – vai estar disponível para você usar ainda hoje, e não ficar parada esperando o seu corpo mudar;
  • Você consegue imaginar pelo menos 3 looks com as roupas que já tem em casa;
  • Você consegue se imaginar usando essa peça na sua rotina atual;
  • O preço é bom (independente do seu conceito de preço bom).

Eu poderia citar outros fatores, como coloração pessoal, a imagem que a peça vai ajudar a passar e efeitos na silhueta, mas essas coisas GERALMENTE não são consideradas por pessoas que não passaram ou estão passando pela consultoria de estilo, seja por falta de conhecimento da teoria ou da importância disso, e por isso não vou me aprofundar aqui. Vamos ver esses itens que citei, começando do preço, pra usar o exemplo que eu dei.

Se a roupa foi barata, fiz uma boa compra?

Quem já acompanha o meu trabalho aqui e no instagram sabe que eu não tenho nada contra uma peça de R$30, muito pelo contrário! Sempre levo clientes para a etapa de compras em outlet ou brechó, para pagar pouco por peças de qualidade. Mas, o que esses 4 anos e meio me ensinaram é que quando o preço da roupa é a primeira qualidade que vemos, as chances de ela ficar parada no guarda-roupas aumenta bastante, porque são compras feitas no impulso, e as promoções servem exatamente pra isso: Pra te fazer pensar que não pode perder essa oportunidade!

E aí essa peça barata acaba ficando cara demais, porque não combina com nada e você vai precisar comprar alguma coisa pra combinar com ela, ou só combina com uma peça e vira um “uniforme”, ou não combina nem com você e aí ela fica parada no guarda-roupas até você enfim se desfazer dela. Eu já falei sobre isso aqui no texto que eu ensino a calcular o custo benefício das peças, e se você ainda não leu, vale a pena! 🙂

Pra essa compra da minha cliente da Bahia ter valido a pena, a calça deveria ter mais qualidades, principalmente porque ela é muito clássica e usa poucas cores e estampas, então ela ser R$30 e ter um modelo que ela gosta não são motivos suficientes pra ela conseguir usar essa peça – ou que eu consiga montar looks que sejam coerentes com o estilo dela. Entende?

A diferença dessa compra pra compra que eu fiz com uma cliente da consultoria de estilo do Rio num brechó foi eu ter pensado em todas as outras coisas antes de escolher cada uma das 14 peças que ela comprou: O estilo dela, as roupas que ela já tinha, a rotina dela (profissão e lazer), o corpo dela, os efeitos que ela quer ver na silhueta dela, a coloração pessoal dela e o orçamento dela. Ela pagou uma média de R$38 por peça. e vai usar muito todas as peças que comprou, porque todas elas cumprem todos os requisitos de uma boa compra pra essa cliente! Postei o vídeo no instagram:

Se a roupa combina com pelo menos 3 peças, é uma boa compra?

Eu já falei aqui sobre a etapa de montagem de looks e que um guarda-roupas versátil e inteligente é aquele que todas as peças combinam entre si, e que o ideal é que cada peça combine com pelo menos 3 outras peças diferentes.

Pra exemplificar, vou contar o caso de uma cliente da consultoria online lá do interior de São Paulo, que me contou que tinha comprado um tecido para fazer uma saia igual à saia que mostrei na sua proposta de identidade visual. Quando eu vi o tecido e falei que não estava dentro da sua coloração pessoal, ela “confessou” que esqueceu de pensar na sua coloração e nas blusas que já tinha em casa, e aí essa peça ia entrar no guarda-roupas dela já como uma “peça problema”, porque só combinava com blusas pretas, já que suas blusas eram de cores completamente diferentes das cores da estampa do tecido – que ela achou bonito, mas que não fazia sentido no seu guarda-roupas.

Se a roupa é bonita, é uma boa compra?

Eu já falei aqui sobre a gente comprar peças que achamos bonitas e depois elas ficarem paradas no guarda-roupas, e se você ainda não leu, eu posso resumir dizendo que isso acontece porque nem sempre o que a gente acha bonito combina com a nossa rotina. Eu mesma acho lindo sapato alto, mas entendi que me fazem mal, porque causam dores nas costas e nas pernas. Eu continuo achando lindo, mas parei de comprar, porque não faz sentido ter sapatos de salto na sapateira só pra olhar.

Comprar roupa é muito automático, e por isso tantas pessoas compram errado! A psicologia me ensinou que mudar um comportamento não é um processo fácil, e eu falo isso para as minhas clientes o tempo todo. Mas, também foi assim com todas as outras coisas que você aprendeu. No começo é difícil, mais demorado, mais sistemático… pra só depois, com treino e paciência, ficar mais natural!

Porque uma peça que não combina com a minha rotina não é uma boa compra?

Imagine que você não tem uma vida noturna muito ativa, e que normalmente vai do trabalho direto pra casa na maioria dos dias, e aos finais de semana prefere programas mais diurnos, como caminhar na praia ou ir ao shopping.

Imagine também que você acha lindo roupas mais ousadas, com decotes mais profundos, ou comprimentos mais curtos. Peças com brilhos e transparências também fazem os seus olhos brilharem, e aí, como a maioria das pessoas e como o caso que eu contei aqui em cima, quando você vê uma peça assim na loja, acha bonito e compra. Mas… elas ficam paradas no guarda-roupas, esperando você ter uma oportunidade de usá-las.

Não é errado ter roupas para esse tipo de situação, especialmente se você encontra uma roupa linda, que te vestiu bem e com um preço bom (ó quantas qualidades!!!). O ruim é ter várias peças que só podem ser usadas no dia que a sua vida for diferente. Entende? O mesmo acontece com quem tem um monte de roupas para “o dia que eu emagrecer x quilos”, porque nem sempre as pessoas emagrecem exatamente como engordaram, e quem engordou 5 quilos nas pernas e quadris pode perder 5 quilos de barriga e braço, e as calças guardadas continuarem sem servir!

Não é legal olhar pra um guarda-roupas cheio de peças que você não pode usar, porque a Carrie Bradshaw generalizou ao dizer que gostava de investir o dinheiro em roupa. Roupa só é investimento se você as usa. Se ela fica parada no guarda-roupas, você jogou dinheiro fora!

 

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